Técnico

Modelagem Econômico-Financeira da PPP de Escolas Estaduais do RS

Marcelo Amaral
20/07/2026 | 2 min de leitura
Modelagem Econômico-Financeira da PPP de Escolas Estaduais do RS

Compartilho o modelo econômico-financeiro que finalizei em 18/07/2026 para acompanhar o resultado do leilão de concessão administrativa das 98 unidades educacionais da rede estadual do Rio Grande do Sul. Meu objetivo é que os interessados e players do setor possam analisar os números e tirar suas próprias conclusões sobre a viabilidade e o atual cenário da concessão no RS. Com a suspensão, o mercado ganha tempo para revisar e testar suas próprias premissas.

Este modelo econômico-financeiro foi integralmente reconstruído com o objetivo de acompanhar e projetar os cenários do leilão de concessão administrativa das 98 unidades educacionais da rede estadual do Rio Grande do Sul. Diante da recente suspensão do certame por medida cautelar do TCE-RS, disponibilizo a ferramenta para que a comunidade técnica possa simular impactos e debater premissas.

Aspectos Metodológicos da Reconstrução

Para esta versão, adotei rigorosamente as mesmas premissas de CAPEX e OPEX utilizadas na modelagem oficial disponível no portal do governo, abstendo-me, neste momento, de realizar qualquer julgamento de valor sobre esses montantes.

O esforço de reconstrução concentrou-se em reestabelecer o racional matemático de células que haviam sido convertidas em valores fixos no arquivo público. As principais alterações e correções estruturais ocorreram nos seguintes módulos:

  • Tratamento Contábil (IFRIC 12).
  • Revisão na apuração do IRPJ e da CSLL ao longo do período da concessão.

Principais Conclusões da Primeira Análise

Após essas alterações, três conclusões preliminares chamam a atenção:

  • Necessidade de Capital Significativamente Maior: A necessidade de integralização de capital no início da PPP ficará muito superior ao capital mínimo exigido no edital. Os valores editalícios previstos eram de R$ 36.261.590,00 (Sublote 1), R$ 34.958.333,00 (Sublote 2) e R$ 38.768.449,00 (Sublote 3). A projeção indica que a demanda real de capital inicial deve ser cerca de 75% maior que esses pisos.
  • Compressão da Taxa de Retorno: A TIR do acionista calculada ficou estimada em aproximadamente 8,4%. Este patamar se encontra bastante distante dos 13,61% adotados oficialmente no cálculo do WACC do projeto, evidenciando um forte aperto nas margens do investidor estritamente financeiro.
  • Perfil de Licitante Provável: Com base na rentabilidade projetada, é possível inferir que o vencedor do certame dificilmente será um fundo de investimento puro. O perfil do ganhador tende a ser de empresas com sinergias operacionais diretas — como construtoras ou indústrias do ramo moveleiro. Através de estratégias de combinação de negócios (capturando margens internas de fornecimento e execução de obras), esses players conseguem internalizar resultados e atingir um retorno global razoável.
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